OS PERIGOS DA RELIGIÃO DO AUTO-ENGANO

O PERIGO DA RELIGIÃO DO AUTO-ENGANO



Texto Bíblico: Marcos 10.17-31

Introdução: A fé tem sido um campo prolífero para a manifestação de toda sorte/todo tipo de engano. O descrédito da fé em muitos lugares se deve ao fato de que muitos líderes se valeram da “boa fé” das pessoas, para promoverem toda sorte de ilusão e engano. E não são poucos os que movidos pela ignorância, seguem por este caminho. O pior é que muita gente o faz, claramente numa perspectiva de auto-engano.

Por falar em auto-engano, quero citar um livro de Eduardo Gianetti, professor universitário dos mais respeitados do Brasil e economista. Em seu livro intitulado: Auto-Engano, ele faz a seguinte abordagem:

em síntese o autor alega que há duas formas de iludir:
“…Há o engano por ocultamento, que se baseia em ardis de camuflagem, mimetismo e dissimulação; e há o engano por desinformação ativa, baseado em práticas como o blefe, o logro e a manipulação da atenção.” (p. 24)

Um caso interessante está relacionado às plantas, como no caso da reprodução das orquídeas. Elas simulam a coloração e o odor das fêmeas de alguns insetos, fazendo com que eles realizem o que o autor denominou como “pseudo-cópula”. O objetivo do vegetal seria aderir seu pólem ao corpo do inseto, para levá-lo à outras orquídeas, concretizando a reprodução da sua espécie.

Sobre isso o autor realiza um comentário sugestivo:

“Para as abelhas do gênero Andrena, por exemplo, o charme e o encanto das flores… superam os atrativos da fêmea real. Diante da opção concreta entre uma e outra, a maioria dos machos revela que prefere embarcar no sexo ilusório e radiante da pseudo-cópula. A cópia excede o original…” (p. 21)



O auto-engano associado primariamente à boa fé, de uma religião de má fé, tem produzido atrocidades únicas na história:
O dia de amanhã, 18 de Novembro, é marcado na história mundial como um dia de tragédia. Há exatos 35 anos atrás, (1978), um líder carismático se levantou na América e levou centenas de pessoas a ilusão coletiva e depois a morte. Em síntese esta é a história do Pastor Jim Jones:

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Jim Jones sempre foi uma pessoa religiosa e amante de estudos sociais, foi um guerreiro contra a segregação racial e lutou muito para que negros e brancos vivessem em paz, mas em algum momento seus propósitos se desvirtuaram e ele acabou se tornando um dos maiores monstros da história moderna e da religião.

Jim nasceu no interior dos E.U.A, filho de um veterano da Primeira Guerra, e teve a infelicidade de viver na época da grande depressão de 29, porém sempre foi um menino religioso, aparentemente dócil, de fala mansa e interessado em livros políticos e sociais. Sua visão sempre foi de um mundo onde os negros e brancos fossem tratados de maneira igual.

Jones tentou entrar para Igreja, mas acabou sendo expulso por desrespeitar as lideranças já existentes, assim ele resolveu criar sua própria seita e esse foi o primeiro passo que fez para se tornar um misterioso e macabro líder.

Templo dos Povos, esse foi o nome que Jim Jones deu a sua igreja e como era um bom pregador, ela acabou crescendo bastante. Além disso, ele apoiava a união das raças e era bem visto por incentivar a adoção de crianças negras por pais brancos, e vice-versa. Logo seu movimento cresceu e foi levado para Califórnia. Nessa época surgiram as primeiras denúncias contra sua religião. Alguns membros que saíram disseram que ele fazia todos treinarem suicídio em grupo, além de dar duras punições físicas aos membros.

Vendo as coisas ficarem feias para seu lado, Jones resolveu pegar seus seguidores e ir para Guiana, onde comprou uma fazenda gigantesca e se mudou, levando com ele mais de 900 crentes, assim surgiu a comunidade de Jonestown, um lugar que entraria para história.

Mesmo longe dos E.U.A, as denúncias contra Jim só aumentavam, que iam desde seqüestro de crianças de membros que abandonavam a Igreja até obrigar as pessoas a viverem em sua fazenda, que ele chamava de A Terra Prometida”.

O Senador Leo Ryan se dispôs a investigar de perto, foi para Guiana, onde iria fazer contato com Jim Jones e seus membros. Ao tomar conhecimento do que ali acontecia, resolveu voltar imediatamente... mas foi assassinado, bem como parte de sua comitiva. Apenas um avião conseguiu decolar as pressas.

Naquele dia, depois de ter matado o Senador, ele reuniu todos os seguidores e os preparou para morte. Depois de um discurso, foi distribuído para eles um copo com líquido venenoso. Para os bebes foram trazidos seringas e mamadeiras com o veneno mortal.

 E na hora que a ordem foi dada todos realmente beberam, mais de 900 pessoas se mataram seguindo sua crença e o que dizia Jim Jones, dentre elas estavam 270 crianças, algumas que ainda eram de colo. Assim dia 18 de novembro de 1978 se tornou um dos mais negros da história da humanidade. Assim ilustramos de maneira inicial o tema da nossa reflexão: Os Perigos da Religião do Auto-Engano.

Narração:
O texto lido para a nossa reflexão nos conduz ao Evangelho de Marcos.
Marcos é o Evangelho mais intenso e dinâmico do NT. Jesus é revelado como alguém que anda, caminha, cura, age. Poucos são os discursos, inúmeros são os milagres.

Dentro deste cenário de Marcos, o Capítulo 10 nos aponta um momento de clímax na confrontação com os enganos que a religiosidade professa. Aliás, Marcos aponta isso desde seu início, porém, o clímax ganha intensidade a partir do capítulo 10.  Ele atravessa o Jordão, e passa a tratar de temas como religiosamente polêmicos como o divórcio... o parecer da religião é um; da fé cristã é outro.  Jesus revela a importância das crianças, que quase eram excluídas no cenário religioso daqueles dias. Elas eram o futuro para os judeus, mas de nenhuma importância no presente. O modelo apresentado por Jesus passa por elas. Por fim, chegamos a cena com o jovem rico. Aqui se vê, de maneira explícita os perigos que a religião do auto-engano produz em uma vida.

Quais são estes perigos?

1.     OS PERIGOS DA RELIGIÃO DO AUTO-ENGANO:

1.1                     Teatralização da Teologia do Elogio Vazio (v.17)
- Gestos de formalidade (ajoelhou-se)
Marcos ainda no seu primeiro capítulo (Mc 1.40-45), registrando os primeiros milagres de Jesus em seu ministério, ele destaca que um leproso ao se aproximar de Jesus, põe-se de joelhos... por-se de joelhos! Há uma imensa diferença entre estes dois fatos citados por Marcos. A única semelhança é a cena de ajoelhar-se perante o Senhor. Um ao ajoelhar-se reconhece sua condição indigna e espera misericórdia...e esse é abençoado com a cura. O outro ao ajoelhar-se revela arrogância, pelas palavras proferidas, evidencia-se uma encenação, uma teatralização do elogio vazio. E esse sai de mãos vazias...
Gestos vazios não tocam coração de Deus! Nos encantamos com gente que não encantam ao Senhor. Gente como Jim Jones, de conversa mole, gestos planejados, mas vazios de verdade.

- Palavras de falsidade (bom Mestre)
Outro dia compartilharam comigo uma história de um grupo de musica cristã que quase dissolveu por conta de brigas internas. O grupo é aquele que cantava assim:
“Abro mão dos meus sonhos
Abro mão dos meus planos
Abro mão da minha vida por Ti
Abro mão dos prazeres e das minhas vontades
Abro mão das riquezas por Ti”
A divisão do grupo se deu, e porque não abriam mão das partes do $$ dos shows, cada qual queria levar sua parte, mais e mais... Segundo o site: musica.gospelmais – foram 22 processos movidos entre os dois grupos que se formaram  por não abrirem mão ao outro grupo de absolutamente nada... houve até intervenção espiritual, segundo o site, de líderes evangelicos nacionais... "abro mão.... abro mão..."

Palavras vazias... Gestos enganosos... Religião de Fachada... A religião do auto-engano é pródiga na teatralização da Teologia do elogio vazio.


1.2                     Teologia da Auto-Salvação (v.17)
- que farei para herdar ?
- tudo isso tenho observado (v. 20)
                        “as campanhas dos montes, dos esforços de líderes e jejuns espetaculares, como se Deus se impressionasse com isso. Se Deus tiver que se impressionar com algo, vai ser com o tamanho da ignorância das pessoas que negligenciam o sacrifício de Jesus, para fiar seus pensamentos no esforço de alguns religiosos do auto-engano”.

1.3                     Teologia Desprovida de Ação (v. 21-22)
- Que farei...
      a. Vai e vende tudo que tens...
      b. Vem e segue-me...
- Nada disso foi feito – “retirou-se triste”

1.4                     Teologia Transcedente Alienada da Realidade Presente (v. 17 e 21)
- o que farei para herdar a vida eterna ?
- Faça algo na vida presente, mude sua realidade imanente (v 21)





2.      AS BÊNÇÃOS DE UMA FÉ SEM ENGANO

2.1                    A percepção da verdade de Deus e do homem
As impossibilidades humanas e a salvação de Deus
“o que é impossivel ao homem, é possívela  Deus!”

2.2 A vida motivada pela centralidade de Cristo
“vem e segue-me” (v.21)
“ninguém que tenha deixado.... por amor de mim e por amor do evangelho” (v.29)

2.3 A coletividade como fator protagonista perante a individualidade
“Que farei eu...” (v.21)
Quem deixa o que de maneira pessoal o dignifica, recebe no coletivo muito mais:
- Deixaram casas...
- Deixaram famílias...
- Deixaram riquezas...
- Deixaram a primazia (v.31) – Síndrome de Diótrefes (terceira João)

2.4A Dependência do Suprimento Essencial de Deus (v.30-31)
- O Evangelho de Cristo a incontáveis bênçãos (v. 30-31)
            Tudo o que o homem necessita – Deus a ele provê... famílias, casa, sustento!



Conclusão:
            Rev. Ronaldo Lidório afirma que o pior de todos os enganos, é o auto-engano. Gente confortavelmente iludida consigo mesma, com seu conhecimento, com sua habilidade... gente arrogante diante do Eterno. Alguns sentem-se a quarta pessoa da Trindade... de tão bons que são!

            Estão as vezes confortáveis nas igrejas, professando uma fé que nada tem de cristã. Cujos lábios confessam elogios vazios, celebrando esforços pessoais na melhoria de suas vidas, e que não geram para o Reino fruto algum. Gente cuja centralidade da existência está condicionada a si mesma, e abdicam da coletividade pela individualidade de seu auto-valor.

            Cai fora, meu irmão. Seguir o caminho da religião do auto-engano, é ilusão, condenação e perdição.