ESTUDANDO O EVANGELHO 1

Série: Caminhando com Jesus

ESTUDANDO O EVANGELHO 1
Introdução:


Em Mateus 16 temos um momento marcante na relação Jesus e seus discípulos, mas também um divisor de águas neste Evangelho. Este divisor de águas fica mais claro no Evangelho de Marcos, que Mateus toma por base. Em Marcos são 16 capítulos sendo divididos em duas partes de 8. No centro deste Evangelho está este mesmo texto que Mateus usa nos capítulos 16-18.  
Neste texto Jesus indaga de seus discípulos sobre quem Ele era – primeiro o que pensavam os homens sobre a sua pessoa: Elias, Jeremias, um dos profetas..., depois o que eles (discípulos) pensavam: Tu és o Cristo...  daí vem esta tremenda confissão de Pedro, e a promessa de Jesus que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Sua Igreja. 
Ato continuo no texto, segue-se a temática da morte e ressurreição, necessidade de discipulado e ai, na grandiosidade da revelação divinal, no monte da transfiguração – temos o que é que Deus pensa sobre Jesus: Meu Filho amado. De sorte que nesta porção, de Mateus 16.13 a 17.13 temos um divisor de águas quanto a revelação da pessoa de Cristo... O que os homens pensam; o que os discípulos confessam; o que o Pai Celestial revela.
Daí em diante um projeto de estruturação de vida com Deus se estabelece para os discípulos. Jesus passa a dizer-lhes sobre os valores intrínsecos na vida daqueles que são marcados pela grandiosidade do conhecimento e da revelação de Deus. Nestes dois capítulos de Mateus temos o desafio para aqueles que estão envolvidos na confissão e revelação, de andarem com Cristo.
a. O Diferencial da Fé (Mt 17.14-23)
O que estes discípulos encontram quando descem do monte da transfiguração?  Com o que eles se deparam após terem visto a glória de Deus e terem ouvido das maravilhas celestiais? Eles se deparam com a impotência dos atos humanos! Com a incapacidade de equacionarem muitos problemas da vida.
Há um pai desesperado com uma condição terrível de seu filho! Nos dizeres daquele pai, o menino era lunático, atirava-se no fogo e na água... Os discípulos tentavam curá-lo, mas viam-se impotentes diante da situação. 
Jesus não cura o menino! Ele não estava doente! Jesus liberta o menino de uma condição espiritual de possessão. Expulsa o demônio e restaura o menino ao seu pai sarado, liberto, isento daquele mal (Mt 17.18).
Tal fato trouxe apreensão aos discípulos: “porque não pudemos expulsá-lo?” (Mt 17.19).  Oh! que pergunta direta, diagnosticadora. Merecia uma resposta na mesma objetividade. E assim o texto revela: “Por causa da pequenez da vossa fé!” (Mt 17.20).
Jesus não foge da questão, não contorna a indagação, não dá meias respostas, não fala por parábolas enigmáticas... ele é assertivo, preciso, cirúrgico: “a pequenez da vossa fé!”. Há coisas que não atingimos por conta do nível de fé que vivenciamos. Não há meias verdades...  É isso.
O profeta Habacuque declarou: “O justo viverá por sua fé”. Tal declaração impressionou o apóstolo Paulo ao escrever aos Romanos e Martinho Lutero na eclosão da Reforma Protestante. Mas há uma coisa certa nisso: se há fé pequena, há também registro de fé grandiosa  - Mateus 15.17: “Oh mulher, grande é a tua fé!”
Entendo que após toda a colossal revelação da pessoa de Cristo no monte da transfiguração, um novo tempo de abriria para aqueles que tal realidade presenciaram. Mas este novo tempo seria patrocinado exclusivamente pela fé. Há coisas que somente a fé, em um nível diferenciado poderá nos levar a viver. Quantos estão no caminho, mas estão como estes discípulos, impotentes diante das questões da vida? Gente inerte, inoperante, impotente. Jesus nos alerta que é a fé o diferencial que nos impulsiona a seguir vitoriosamente.
Mas o mesmo Senhor que explicitamente declara que o problema envolvido na situação era a fé, ele também declara que a fé está vinculada a pessoa e a obra dEle, Jesus: Mateus 17.22-23 – o anuncio da morte e ressurreição é o ponto central da nossa fé.  Ela tem centralidade em Cristo. Não é uma fé sem referenciais, não é uma expectativa de melhora terreal... 
A caminhada vitoriosa ao lado de Cristo tem um diferencial – a nossa fé! Foi dessa forma que Deus chamou Abraão – andar por fé! Deus não mudou seu projeto que se evidencia em Hebreus 11... um capítulo de fé! Assim como o apóstolo João escreveu com toda propriedade: “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé!” (1 João 5.4).