Série: Ainda que 2

2. Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide... (Hc 3.17-19)
Um dos grandes problemas na vida é a falta de esperança. Olhar para o horizonte e não ver luz! Gente que por conta das tragédias da vida perdeu a capacidade de sonhar e de esperar a manifestação do florescer de Deus! 
Habacuque era um homem crente, que em sua piedade orava a Deus por intervenção no cenário de corrupção de sua nação. Injustiças, subornos, mentiras, jogos de interesses. Ele desejava uma nação santa. Mas ao orar a Deus e pedir uma intervenção do alto, ele não imaginava a resposta que Deus lhe daria: a chegada da nação mais amarga da terra naqueles dias – a chegada dos caldeus. Deus em sua soberania constrói os seus caminhos!
A intervenção de Deus se daria por meio de um instrumento até então não imaginado: uma nação ímpia, bem pior que Judá. O profeta entra em um estado de perplexidade, de choque com os caminhos de Deus. Questiona a sanidade dos feitos do Senhor (O Senhor é tão puro de olhos que não pode ver o mal – Hc 1.13). Mas por fim, entregue a oração ele se rende e tem sua esperança renovada, não pelas perspectivas terreais, circunstanciais, ou visíveis... mas pelo caráter de Deus. Sua vida é tocada pela percepção de que Deus ainda tinha um projeto com seu povo e deste projeto, Ele não abriria mão. Deus ainda estava sentado no trono do universo governando a história: “Ainda que a figueira não floresça, ainda que não tenha fruto na vide, ainda que o produto da oliveira minta... ainda assim eu exultarei no Senhor, no Deus da minha salvação” (Hc 3.1-18).
Habacuque nos ensina a viver no tempo de perplexidade sem perder a esperança e a alegria, porque:

a. Aquele que começou a boa obra vai terminar

Este livro nos traz esta percepção clara. Deus em Abraão havia chamado um povo para uma missão. Percausos, pecados, problemas se levantam na história ameaçando a continuidade de uma obra divinal. Entre tantos, os caldeus que destruiriam tudo o que encontrassem pela frente.  Diante da iminente tragédia que se revelava, Habacuque nos ensina que Deus não deixará de concluir a obra que começou. Paulo lembra este fato aos filipenses dizendo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).
As vezes pensamos que a tragédia é tão grande que não se poderá reverter. Humanamente esse sentimento é verdadeiro. Mas Deus pode reverter qualquer coisa, transformar o mal em bem... Ele jamais é pego de surpresa em nada, pelo contrário, precisamos entender que nEle, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).


b. Vivemos pelo que cremos, não pelo que vemos

Habacuque olha para os campos, vê a figueira que estaria sem flores, a videira sem frutos, a oliveira seca, os animais levados embora... tal contemplação revela o símbolo de desesperança na vida de um povo. Sem colheita, sem sustento, sem perspectivas de alegria. Do campo não viria a festa das primícias, a celebração da fartura...

Muitas vezes nossa alegria está depositada nas circunstancias momentâneas da vida da gente e Deus permite determinadas tragédias para que reorientemos esta questão. Não vivemos e nem nos alegramos pelo que temos, pelo que vemos, pelo que possuímos. Somos chamados a viver pelo crer e não pelo ver. Habacuque dispara: “O justo viverá pela fé” (Hc 2.4). 

A alegria adviria das promessas de Deus, do caráter fiel do Senhor e não das circunstâncias de prosperidade material. Entendendo isso, ele finaliza seu livro dizendo: “ainda que a figueira não floresça...eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação” (Hc 3.18).


c. As circunstâncias sofrem mudança, mas Deus continua o mesmo

Viver nos dias de perplexidade nos ensina que as circunstâncias mudam, mas Deus continua o mesmo. Nele não há sombra de variação. Deus é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente. As circunstâncias mudam, mudam também a gente... mas, Deus é Deus. Ele é o grande Eu Sou.

Se nossa esperança estiver depositada em pessoas, em situações momentâneas... nossa esperança desvanecerá. Pois pessoas e circunstâncias são mutáveis. Mas se nossa esperança está em Deus, podemos descansar tranqüilos, pois Ele é fiel as suas promessas, a despeito da chegada dos caldeus, a despeito dos anos que se seguiriam de cativeiro... Deus traria um renovo, um avivamento no decorrer dos anos a sua obra. Assim Habacuque percebe e ora: “Aviva a tua obra, Ó Senhor, no decorrer dos anos, faze-a conhecida” (Hc 3.2). Avivar – é trazer vida. Vida a uma realidade que se apresentava morta, seca, destruída. O Deus que permanece o mesmo transformará as circunstâncias conforme sua vontade soberana.

Ainda que não veja ao meu redor motivo nenhum para confiar... ainda assim esperarei no Senhor da minha salvação!
Carlos Jr