ESTUDANDO O EVANGELHO 2

Série Caminhando com Jesus


ESTUDANDO O EVANGELHO 2

Na seqüência do estudo desta porção do Evangelho de Mateus, após sermos alertados para o diferencial da fé na vida cristã, um outro tema emerge e repercute na caminhada dos discípulos e que está presente na passagem de Mateus 17.24 a 27.
b. O Desafio da Dependência de Deus
Esta passagem às vezes nos dá uma falsa impressão de algo nada espiritual. Se os versos anteriores aludiam a fé, ao diferencial da fé para os embates da vida... este texto trata de imposto, de dinheiro, de deveres sociais. A passagem trabalha a temática do pagamento de tributos, e para muitos – o que imposto tem de espiritual? Tal tema na contextualidade brasileira chega produzir revolta. Paga-se muito imposto, uma das maiores taxas entre as nações, e recebe-se quase nada em troca... pelo contrário, financia-se, muitas vezes, a corrupção nos escalões dos governos em geral.
Mas Jesus atravessa da fé para o imposto como quem trafega por um mesmo terreno. E isso é que nos impressiona no estudo do Evangelho. Até os temas que achamos menos espirituais são desafios a jornada de fé ao lado do Mestre. Jesus não fugiu da indagação sobre o porquê não puderam expulsar o demônio, bem como não fugiu da temática do imposto de renda. Para Ele, confrontar o demônio e o imposto podem ser vistos na mesma perspectiva de vida com Deus, sem qualquer dificuldade.
O cenário é a vila de Cafarnaum, um local onde havia intensa atividade de pesca. Ali Pedro tinha uma casa, ali desenvolviam sua profissão, ganhavam o pão... Ali também o governo tinha postos de arrecadação. Provavelmente Mateus (Levi), que era publicano, exercia seu papel de fisco nestas imediações... e sabia muito bem a luta que era cobrar o tributo.
Pedro é abordado por coletores sobre esta questão: pagar o imposto (Mt 17.24). O seu Mestre paga imposto? Você paga imposto? Se escapistamente ou não, Pedro adianta-se e diz... sim, paga sim! (Mt 17.25).
Ao chegar em casa, com a mesma naturalidade de tratar o tema anterior da fé, Jesus aborda o fator do imposto com Pedro. O que chama a atenção é que Ele poderia abordar o mérito do mesmo, e o faz – “O imposto é cobrado dos filhos ou dos estranhos?” (Mt 17.26)... Os filhos estão isentos. O mais legítimo dos filhos era o Senhor Jesus (Mt 17.5): “Este é o meu filho amado...” 
Daí poderia suscitar uma revolta conspiratória, uma abordagem anti governo, ainda mais sendo este o governo dos romanos... Mas Jesus usa desta questão não para azedar a vida de ninguém, mas para trazer à baila um tema fundamental para a jornada com Deus: Dependência do Senhor!
O imposto se manifesta na passagem como as contas que temos que pagar para fazer frente ao dia a dia de trabalho. Pagar contas não é um mero exercício social. Muitas delas são indevidas e os recursos limitados. Olhar para as contas que muitas vezes se avolumam deve ser um exercício diferenciado para aqueles que desejam seguir ao lado de Jesus: é acima de tudo um exercício de dependência de Deus. 
Nesse exercício de dependência de Deus há algumas lições:
- Jesus toma a dianteira ao abordar este assunto (MT 17.25). Ele sabe o que muitas vezes nos incomoda. Ele sabe o que temos que pagar. Estes não são temas indiferentes ao Senhor das nossas vidas. Por isso Ele toma a iniciativa. Ele nos ensina que nada passa despercebido aos seus olhos... Até o imposto a um governo infiel, como era o romano naqueles dias e o nosso atual.
- Os recursos estão nas mãos do Senhor. Jesus orienta Pedro que o recurso para pagar o imposto estava a sua disposição. Vai lançar o anzol. Pedro sempre é apresentado como um pescador de rede. Agora era para lançar o anzol. O primeiro peixe a ser apanhado conteria em seu interior o valor para saldar a dívida. A dependência de Deus evidencia os recursos que estão escondidos. Eles estão esperando uma palavra do Senhor para que venham à lume. Estes recursos advém do Senhor e são para servirem ao Senhor. Somos mordomos, não proprietários. 
- O caminho do sustento vem do aliar sobrenatural com o ordinário. Há aqueles que desejam uma dependência apenas do extraordinário. O peixe deveria pular no colo de Pedro e vomitar o dinheiro suficiente. Mas muitas vezes, não é assim que o Eterno trabalha! Vai pescar. Lança o anzol... o ordinário da atividade laboral. Do trabalho, da pesca. Mais um ordinário visitado, regado pelo sobrenatural da obediência à Palavra do Senhor.  Quantos milhares de peixes o lago continha. O primeiro teria em seu ventre o recurso... isso é sobrenatural. A dependência do Senhor traz esta dimensão de entendermos que o sobrenatural de Deus age em parceria com o ordinário das nossas vidas.
- Os recursos são suficientes, por isso não pode haver desperdício. O valor era suficiente para pagar aquela conta. Era o maná do dia. Não sobraria. E mesmo quando sobra, o alerta era para que se recolha para que não tenha desperdício (Mt 14.20).
O Deus que chama é também o Deus que cuida, que sustenta. Deus é um Deus providente, o salmista anuncia: “Jamais vi um justo desamparado ou a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37.25).  Deus dá o pão, a veste, o abrigo, o sustento, o provimento, o maná. A cada manhã o povo saia no deserto para recolher a porção do dia. Jesus usou desta analogia na oração do Pai Nosso: “o pão nosso de cada dia, dai-nos hoje”. Após contemplarem a grandiosidade de Deus no monte, eles são chamados a uma caminhada diferenciada pela fé e que se expressa no desafio diário de dependência do Senhor!

Carlos Jr