ESTUDANDO O EVANGELHO 3

Série: Caminhando com Jesus

ESTUDANDO O EVANGELHO 3

Na sequência do estudo desta porção do Evangelho de Mateus, após sermos alertados para o diferencial da fé na vida cristã, após sermos confrontados com o desafio de vivermos na dependência do sustento diário de Deus, Jesus imediatamente engata um outro tema essencial para a caminhada com Ele (Mateus 18.1-5 e 18.10-14).
c. o Convite a Humildade e Simplicidade
Interessante é notarmos que Jesus e Pedro conversavam sobre dinheiro, sobre tributo, sobre orçamento, contas a pagar, etc. Enquanto assim faziam, Jesus introduz no meio do assunto de gente grande, uma criança (Mt 18.2).
Achamos que há coisas que não são para crianças. E de fato, há assuntos que não devem ser tratados na presença delas, mas o que Jesus faz ao trazer para o meio daqueles homenzarrões, sisudos, preocupados com as contas... era trazer um olhar humilde sobre a vida. Era reafirmar a necessidade de humilhação e simplicidade no dia a dia.
O grande tema que os preocupava qual era? Quem seria o maior? Quem estaria em posição de destaque no reino? Evidência, notoriedade, estrelato... Estas são preocupações nos mais diversos meios sociais... dos atletas aos meios políticos; do academicismo ao vendedor. Quem é o maior? Quem vai ganhar a bola de ouro da FIFA? O premio de melhor funcionário da empresa?
Jesus quebra paradigmas. O maior é o menor. O maior é o que serve... quem se prostra, quem se humilha. A beleza não está na pomposidade, mas na singeleza, na simplicidade. Os pequeninos, as crianças apresentadas no texto trazem um desafio de olhar a vida com outros valores... Humildade e Simplicidade.
Nisto que se evidencia, há uma amostragem da coerência de Jesus. Quem era o mestre deles? Um filho de carpinteiro, nascido numa cidade sem status da época, em uma manjedoura... O mestre não tinha titularidade dos rabinos formados em Jerusalém, nem usava vestimentas nababescas como as sacerdotais... era um homem simples, humilde a confrontar as estruturas imponentes daqueles dias... o império e a religião, ou o império da religião.
A abertura do Sermão da Montanha evidencia a importância desta temática: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque dos tais é o reino dos céus” (Mt 5.3). É possível sim, uma pessoa ser economicamente desfavorecida e ser ainda assim sem humildade. Humildade não é sinônimo de condição sócio-economica. Mas a condição social e econômica muitas vezes favorece uma situação nesta direção.
Tiago e Pedro declaram em uníssono: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pe 5.5; Tg 4.6). O livro dos Provérbios afirma algo que precisa ser inesquecível: “A sobera precede a ruína” (Pv 16.18).
Nesta trilha da descida do monte da transfiguração, seguindo o Mestre Jesus, não há espaço para outra coisa senão a simplicidade de um coração diante de Deus, quebrantado e humilhado. “Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, e Ele vos exaltará” (1 pe 5.6).
Humilhação é a capacidade espiritual de reconhecer que nós nada somos ou podemos por nós mesmos. É a afirmação precisa de um coração conhecedor de sua real situação diante de seu Senhor – pecador, devedor. É o esvaziamento de qualquer sentimento humano que promova superioridade. Nos dizeres de Paulo aos Filipenses: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo...” (Fp 2.5-10).
O homem em sua naturalidade deseja evidência, notoriedade, glória. Deus na sua glória esvaziou-se pela humanidade decaída ensinando que o caminhar em Cristo sem humilhação e simplicidade é sofisma do inferno!

Carlos Jr