ESTUDANDO O EVANGELHO 5

Série Caminhando com Jesus

ESTUDANDO O EVANGELHO 5

Na seqüência do estudo desta porção do Evangelho de Mateus, após sermos alertados para o diferencial da fé na vida cristã, após sermos confrontados com o desafio de vivermos na dependência do sustento diário de Deus, depois de sermos exortados a um olhar com humildade e simplicidade, e sobre a realidade das renúncias que são inevitáveis, Jesus alude a um tema inegociável na jornada de um discípulo: perdão, a administração do balsamo gracioso de Deus nas nossas relações: Mateus 18.15-35.
e. Perdão Reparador
O tema da reconciliação é a essência do Evangelho. O Evangelho é Jesus. E Jesus só se fez carne por um propósito: reconciliar com Deus o mundo. Sua morte, sua obra de paixão e dor só tem significância nesta percepção: o homem e Deus/ Deus e o homem se encontram na cruz de Jesus.
A cruz é o altar onde o cordeiro de Deus foi imolado, onde seu sangue vertido significou purificação dos nossos pecados. Onde o castigo que nos traz a paz fora despejado sobre Ele. Esta obra reconciliadora tem um nome: Perdão!
Assim, Jesus lembra que caminhar na estrada junto a Ele, trará conflitos. Os conflitos geram desgastes, traumas, magoas, ofensas, dívidas... Ele alude a esta situação já de início da passagem dizendo: “se teu irmão pecar contra ti...”
Não existiram, não existem e nem existirão relacionamentos humanos onde as ofensas não se suscitem uma hora ou outra. Onde as divergências estremeçam relações. Tudo estará fadado a ruína e fim se não houve disposição interior para a reconciliação... para o perdão. A semelhança de Deus esta reconciliação nos desafia:
- O ofendido toma a iniciativa de reatar relacionamento. Deus foi o ofendido. O homem jamais procuraria pelo Senhor. A expressão de Adão após a queda é diagnosticadora: esta com medo e me escondi. A tendência humana é fugir, ou esconder-se de seu Criador. Quando muito confecciona para si objetos de adoração para satisfazer-lhe as ânsias... mas não é Deus quem está li. 
Deus procurou o homem e o procura também em Cristo para trazê-lo para si. Em Cristo o escrito de dívida que pesava contra o homem foi rasgado. Assim como o véu do santuário, símbolo da separação entre Deus e o home, também se rompeu. Não foi o homem quem procurou a Deus. Deus como ofendido veio até nós. Assim na busca deste ministério de reconciliação, o ofendido deve tomar a iniciativa. Este é o Evangelho de Jesus... outra ação pode até satisfazer o homem, mas não será o Evangelho de Jesus.
- A disposição para a reconciliação deve ser inesgotável. Jesus fala do perdão, e Pedro que tanto se beneficiaria dele após suas três negações indaga: “até quantas vezes devo perdoar meu irmão?” (Mt 18.21).
Se o perdão é uma expressão da graça divina, ela é inesgotável. Não há limites para o favor de Deus na redenção, no resgate, na reconciliação de um pecador... Setenta vezes sete. A idéia é a inesgotabilidade do favor. Quantas ve3zes Deus vai nos perdoar? Em havendo arrependimento, todas as vezes, sejam elas quantas forem.
- A dimensão da agressão. O texto não apenas nos chama a refletir quanto as inúmeras vezes, mas também sobre o tamanho do dano. Danos impagáveis como o do servo para com seu senhor (na parábola) em Mateus 18.23-35. Ou mesmo danos de menor monta, como de um servo para com seu conservo. No texto todavia, há distinção entre as ações. Não há aprovação disso, mas há o registro de que, quem é perdoado tem compromisso de expressar a mesma graça reconciliadora para com seu semelhante.
Jesus executou tal projeto na relação com Pedro. A reparação, a restauração de um homem caído e resgatado para ser o porta voz da graça perdoadora.
Bom, terminada esta ministração, Jesus atravessa o Jordão, finaliza uma sessão e segue em direção a Jerusalém para enfrentar seu desígnio. Entre o monte da transfiguração e o Jordão há uma caminhada com Cristo que revela elementos nem sempre presentes no nosso cristianismo que em muitos aspectos se aproxima do nominal. Diante desta séria expressa em Mateus 17-18, inevitável é a pergunta: você anda com Cristo ou anda num caminho por si mesmo? Fé, dependência de Deus, humildade e simplicidade, renúncia e perdão... 
Carlos Jr