Série: A alegria do Senhor é a nossa força (Filipenses)

Texto 3: Filipenses 3.1-21

Neste capítulo 3 de sua carta aos filipenses, o apóstolo Paulo aborda um outro fator que, vez por outra, assalta o coração de muita gente no que tange a alegria... são as perdas que somamos na vida!
3. O LADRÃO DA ALEGRIA: AS PERDAS
Vivemos em uma sociedade consumista, materialista e egoísta. A realização e alegria da vida de muita gente consiste em adquirir, em comprar, em possuir. Há uma teologia que está em moda (a da prosperidade) que enfatiza especificamente isso: ser abençoado por Deus é possuir, ter, adquirir, materialmente enriquecer. Fazer de suas vontades seu deus (3.17-19).
Neste interim, as pessoas que passam por situações de perdas são percebidas como desprovidas do favor de Deus, da bênção do Senhor. E na Palavra de Deus, as coisas não são assim...
“Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero refugo, para ganhar a Cristo” (3.7-8)
Desde que nascemos as perdas fazem parte de nossa trajetória de vida. Perdemos o útero, lugar que nos acolheu em um primeiro momento da existência. Perdemos o seio materno, as fraldas, a chupeta... As perdas são naturais na vida, porém, as vezes, dolorosas e precisamos saber processar cada uma delas de maneira a termos ganhos em meio a estas perdas.
É isso que Paulo está enfatizando. Considerou tudo como perda para um propósito maior e mais sublime – o amor de Cristo, a vontade de Cristo, a glória de Cristo. Este amor é a pérola de grande valor que fez com que o comerciante vendesse tudo o que tinha para adquiri-la. Nada há que se possa comparar a magnitude deste amor.
Todavia, não são poucas as pessoas que tem sua alegria assaltada em meio as perdas circunstanciais da existência. Perda de emprego, de pessoas, de condição social, de elementos que nos sustentaram na caminhada (como a tradição judaica para Paulo), são alguns dos fatores promotores de muita tristeza. Há pessoas que se vitimam, outras que entram em depressão lamentando sem parar, as suas perdas... “ahh.. eu perdi meu emprego... perdi meu carro... perdi minha família... o que vou fazer? Que vontade de morrer” .
As perdas geram luto sim. O luto faz parte deste processo de entendimento que a vida da gente não está presa ao que se perdeu. Ela é mais, vale mais e tem mais a ser. Paulo dizia que perdeu tudo, mas “esquecia-se das coisas que para trás ficavam para prosseguir para o alvo maior, para o prêmio da soberana vocação”(3.13-14).
No livro de Jó, um dos mais antigos da Bíblia, temos a história de alguém que perdeu filhos, bens, servos, riquezas, saúde... apoio da esposa, dos amigos... perdeu na linha horizontal tudo o que se podia imaginar. Ele perdeu tudo. Não a fé. A Bíblia relata que ele rasgou suas vestes e louvou ao Senhor: “Nu sai do ventre de minha mãe, nu também voltarei. O Senhor o deu, o Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor”. Esta percepção de mordomia de Jó é a grande questão: não somos donos de nada. Não possuímos nada. Muitas vezes somos possuídos por aquilo que possuímos e nos tornamos servos de tais coisas. As perdas trazem para a vida a oportunidade de reavaliar o centro de nossa alegria. Onde nossa alegria está centrada?
O profeta Habacuque viveu dias assustadores com a notícia da chegada dos caldeus. Uma nação que viria sobre seu povo para promover destruição e perdas. Ele se assusta em um primeiro momento. Discute com o Eterno. Mas por fim, reavalia em meio as perdas a base de sua fe e alegria e diz: “Ainda que a figueira não floresça, ainda que a vide não de o seu fruto, ainda que o produto da oliveira minta, ainda que nos currais não haja mais gado...ainda assim, eu me alegrarei no Senhor. Exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3.17-19).
Nas palavras de Neemias: A  alegria do Senhor é a nossa força mesmo em meio a um cenário de perdas e destruição! Nossa alegria é fruto da ação do Espírito de Deus e não das conquistas e perdas terreais.
No ano que estamos iniciando, certamente conquistas virão... mas as perdas também. Lembre-se que tais perdas podem se tornar cadeias à alegria do seu coração. São ladrões que se achegam para roubar da alma o gozo e a alegria. Nossa alegria está no Senhor e na força do seu poder!

Carlos Jr