SÉRIE: MISSÕES NO CORAÇÃO DE DEUS - Parte 6

A Segunda Viagem Missionária (Atos 16.27-18.23)



2. Missão se faz com Visão


Em Atos 16.11-40, temos o relato do que seria a virada de mesa nesta caminhada que até então seria marcada por muita frustração. Até então só portas fechadas. Eles chegam em Trôade, onde Deus dá a Paulo uma visão. “à noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa a Macedônia e ajuda-nos” (16.9).

Toda virada neste empreendimento missionário se dá exatamente aqui: a visão que Deus dá!  Não é possível fazer missão sem ter de Deus uma visão: da necessidade, da fundamentalidade do evangelho. Algo que inicialmente parece sem nexo, sem propósito. Muitas vezes só o sujeito acredita na visão que Deus lhe da inicialmente...

Depois de tantas portas fechadas, tantas frustrações na caminhada, seria até que natural seus companheiros falarem a Paulo: “vamos voltar!”. Não vamos entrar na Europa... vamos retornar pra casa... Mas não! Silas segue com Paulo na visão que ele havia recebido.

Jesus dizia em  João 4: “Vede os campos que já branquejam”. É preciso ver! Olhar com os olhos de Deus e se dispor a seguir atrás daquilo que Deus está a patrocinar! É pela fé! “O justo viverá pela fé” Abraão seguiu o chamado de Gênesis 12 atrás de uma terra que não conhecia, pela fé!

Elias seguia nos direcionamentos que Deus lhe mostrava: quer para o ribeiro de Querite, quer para a cidade de Sarepta, quer para o palácio de Acabe. Mas quando Elias viu mais o home, no caso, a mulher Jezabel do que o que Deus tinha, ele entrou na caverna, se escondeu, se abateu... e Deus lhe diz duas vezes em 1 Reis 19: “Que fazes aqui, Elias?”

É preciso seguir a visão do que Deus tem mostrado para que a missão se estabeleça com êxito!


3. A Plantação da Igreja mais parceira de Paulo


Quem poderia imaginar que entre tantos dissabores, desde o início da jornada, se levantaria neste cenário uma nova igreja, e que seria para Paulo a mais parceira, a comunidade fiel no apoio ao seu ministério... estou falando de Filipos... vale a pena uma leitura na sua carta a esta comunidade.

a. A Conversão estratégica de Lídia. Uma mulher rica, temente a Deus, que buscava ao Senhor. Paulo se achega a um local próprio onde os irmãos oravam e lhes ministra a Palavra. Lídia se converte e lhes dá abrigo!
b. A Confusão com uma Endemoninhada. Ato continuo durante vários dias, uma jovem adivinhadora, possessa de espírito malignos segue a Paulo e Silas atormentando-os. Paulo percebe a sutileza da possessão, repreende o demônio e a mulher fica liberta, e os seus senhores perdendo a fonte de lucro, insuflam uma confusão publica contra os dois. Eles são presos e açoitados... injustamente, pois nada fizeram e Paulo era cidadão romano, não podia passar por tal humilhação. São lançados no cárrcere.
c. A Conversão do Carcereiro. Eles possuíam todos os motivos para que em seus corações a indignação e revolta se estabelecesse. Açoites, dores no corpo, injustiça... Mas eles estão com o coração cheio de graça. Louvores e orações partem de seus lábios em face a tudo aquilo. Deus sacode a prisão e os liberta. Liberta a todos. O carcereiro busca se matar... era o responsável por aqueles homens... Com a conduta de Paulo e Silas... ele abre as portas de sua casa e de seu coração ao Evangelho.

Uma mulher rica, uma jovem que era possessa, a família do carcereiro... assim, de maneira bem singela, pequena e embrionário, Deus suscitaria uma comunidade fantástica na vida daquele homem de Deus. A semeadura foi regada com sangue, louvor e oração. Surgiu uma igreja que influenciaria, naquele local, uma geração.



4. Uma jornada de Sucesso na Graça de Deus


Nesta viagem, outras igrejas que depois se tornariam destacáveis no Novo Testamento são plantadas: Tessalônica: Chamada por Paulo de a igreja modelo da região (1 Tessalonicenses 1.7);  Beréia que era uma igreja firme no entendimento das Escrituras. Atenas, o centro filosófico e cultural do império romano. Corinto que era uma igreja repleta de dons do Espírito e plantada numa região estratégica para compartilhar a fé no mundo de então. 

Para quem saiu para uma viagem, em meio a uma tensão de discórdia com Barnabé. Para quem só encontrou portas fechadas nos primeiros passos desta jornada... grandes coisas fez o Senhor. Tremendas igrejas foram plantadas. O Evangelho ganhou força em um novo continente... O sucesso da missão depende da graça de Deus. Todas as nossas preparações são importantes para evitarmos erros. Todo cuidado é pouco e necessário. Porém, não será o marketing, nem a estratégia, nem as coisas terreais e humanas que aflorarão o sucesso do empreendimento do Reino de Deus. Será a Graça de Deus, tão somente esta maravilhosa graça!

Se na primeira viagem a evidência de uma parceria e de uma estratégia nova clareavam um tempo novo da fé, esta segunda viagem revela que mesmo nas coisas novas, o sucesso não será o método; mas o Espírito Santo de Deus em nos usar, quando, onde e como Ele quiser!