SÉRIE: NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA... - Parte 4

4. PEDRAS QUE FEREM E MATAM

“Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.” (João 8.7).

Passaram-se cerca de dois mil anos que Jesus ministrou esta palavra... mas, ainda as pessoas não aprenderam. Não são poucos os que estão disparando suas pedras, suas setas, suas acusações, suas calunias, suas difamações para todos os lados contra muita gente.

Gente que se sente isenta de erros, de defeitos e por isso percebem-se habilitadas para disparar acusações e condenações contra quem desejar. Iludidas por um cargo eclesiástico, como os fariseus daqueles dias; ou envolvidas por um ambiente de santidade homicida como naquela ocasião; ou mesmo por um sentimento de que foram ofendidas e por isso estão no direito de exercerem tal postura... A mesma lei que lhes dava o direito do apedrejamento de alguém, do linchamento moral, era a mesma que os condenaria sem misericórdia.

O tempo passou, mas parece que nada mudou. Nas esquinas, nas ruas, nas rodinhas da cidade, nos grupos de amigos, o que muitas vezes não falta é esta atitude de censor, de juiz. Pensamos que podemos emitir sentença a partir de uma visão periférica, superficial das coisas e da vida dos outros. Deus é o juiz porque nada se esconde de seu conhecimento. Deus tudo sabe... Ele é onisciente. Nenhum outro ser em todo o universo é dotado deste atributo. Nem o próprio Satanás... Este é um atributo exclusivo da divindade. E o exercício deste atributo permite que Ele emita o juízo sem equivoco. Muito diferente de nós que nada sabemos e tudo sentenciamos.

Mas se não bastasse o fato de sentenciarmos outros sem termos todas as informações que os céus tem, ainda o fazemos numa atitude absurdamente contrária ao que o modelo divinal nos exorta. Deus podendo exercer diz: “Nem eu tão pouco te condeno, vais e não peques mais”. A opção divinal não foi a pedrada, não foi o juizo a morte, mas a oportunidade da graça que promove a vida. A mulher apanhada em adultério recebe pela graça a oportunidade da vida: “A tua graça é melhor que a vida” diz o salmista.

Assim, quando atiramos pedras nos outros, revelamos uma postura arrogante de um juiz que nada sabe sobre o que julga... não sabemos o que Deus sabe na vida de cada pessoa. Revelamos um coração rebelde ao modelo divinal. Deus nos chama no seu exemplo de perdão a caminhar nesta direção... quando não o fazemos, optamos por caminhos que achamos melhores do que aquele que Deus tem pra nós. Por fim, revelamos que o coração perdeu a graça. Desprovido de graça, a vida não emerge festiva e em amor. 

Pegue sua pedra e não atire contra alguém. Use-a para servir ao próximo, construindo castelo de acolhimento em amor. Cora Coralina, poetisa brasileira dizia: “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, retirando pedras e plantando flores”.

Carlos Jr