Enfrentando tempestades na vida

“Ouvindo eles isto, enfureciam-se no seu coração e rilhavam os dentes contra ele. Mas Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé a destra de Deus” (Atos 7.54-56)








Quantas vezes nos deparamos na caminhada com oposições ferozes? Com gente que irada, rilhando os dentes, deseja contra nós todo mal? Diversas vezes a vida nos surpreende com situações, em que, mesmo sendo instrumento de Deus,  a oposição ameaçadora se levanta. Isso é mais comum do que se imagina e tais coisas possuem um grande poder de abater, de gerar prostração, desânimo e exaustão.
Quando olhamos este texto supra-citado, é bem nítida a situação que Estevão, o diácono vivenciava. Oposição, intimidação inicial, desejo de lhe fazerem todo mal... Como reagir a isso? Como tratar desta questão com espírito cristão?


a. Onde estão os teus olhos?
A primeira questão que este texto nos apresenta é sobre onde estamos depositando nosso olhar. Quando as circunstâncias se levantam assustadoramente contra nós, contra o que realizamos... a tendência é, dela não tirarmos os olhos. Os discípulos de Jesus no barco varrido por uma imensa tempestade, viram um vulto vindo por sobre a tormenta no mar. Jesus se identifica... mas Pedro duvida. Jesus o convida a descer do barco e andar por sobre a tempestade do mar.... Pedro até desce do barco... anda por um certo momento, mas ao tirar os olhos de Jesus afunda desesperadamente. Isaías o profeta, no ano da morte do Rei Uzias viu algo inquietador. Não viu uma nação a deriva. Não viu um trono vazio e o povo sem direcionamento... poderia ter fitado seus olhos nisso. No tumulo, no caixão, na morte. Mas ele viu; ele viu o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono!
Estevão poderia fitar os homens, a oposição, a revolta, a intimidação, as ameaças de morte, a incompreensão... ele olha... mas vê a glória de Deus. Vê os céus abertos, vê o Senhor reinando, vê o amado Jesus. Onde estão os nossos olhos? Na crise nacional? Nas notícias de caos político social? Nos prognósticos econômicos de adversidades? Ou nossos olhos estão contemplando a glória de Deus, um Deus que é Senhor, que se assenta no trono dos céus e conduz a história? Onde estão nossos olhos?


b. Ser cheio do Espírito
Ter esta percepção que Estevão teve não é tão simples. Na verdade não é uma ação natural. O que o texto nos informa é que Estevão viu os céus abertos, viu a glória de Deus, viu um Deus que reina, porque sua vida estava tomada da plenitude do Espírito Santo. Apenas uma pessoa cheia do Espírito consegue olhar para além das coisas naturais, para além do cenário de horror.
O homem natural não entende as coisas do Espírito, porque lhe são loucura... se dissociam espiritualmente. Ah... quantas vezes a falta de uma vida cheia do Espírito faz com que reproduzamos o comportamento natural. Ver o cenário assustador era a coisa mais natural. Qualquer um veria. Mas ver Deus naquilo tudo, era possível apenas para uma pessoa tomada do Espírito de Deus.
Eliseu é perseguido pelos furiosos sírios, quando alertava o rei de Israel para as emboscadas que planejavam. Tropas se deslocaram até Dotã para prenderem Eliseu. O moço de Eliseu ao ver a cidade tomada, cercada pelos sírios se desespera: o que faremos, meu senhor? Eliseu ora a Deus e diz: Senhor, abra os olhos para que este moço veja que “mais são os que estão conosco do que os que estão com eles”. Os olhos do moço do profeta se abriram e ele viu que o monte estava cheio de carros e cavalos ao redor de Eliseu.
Não adianta desejarmos ver as maravilhas de Deus se não cultivamos uma vida cheia do Espírito do Senhor.


c. Ser testemunha
Estevão não apenas vê, mas testemunha o que está vendo. Ele testemunha da palavra em uma exposição belíssima diante das autoridades judaicas daqueles dias. Ele testemunha o que Deus fez com Abraão... mas testemunha o que Deus estava fazendo em sua vida naquele momento.
Ser testemunha não é apenas relatar a história da redenção... um passado de feitos portentosos do Eterno. Mas é testemunha esta revelação bíblica, mas vivenciar opoder de Deus na história de nossas vidas. Jesus declarou: Errais não conhecendo as Escrituras e nem o poder de Deus. Conhecemos as Escrituras. Estevão bem a conhecia, pregou a Palavra corajosamente... mas era uma testemunha do que o Eterno estava a operar em sua vida também, por intermédio de seu divinal poder.
Assim, Estevão não se viu livre da oposição, mas soube por ela passar e tornou-se uma referência em toda fé cristã: foi o primeiro mártir do cristianismo. O primeiro que viveu e morreu por Jesus. Fez história, impactou a história. Saulo ali estava e a tudo presenciou.... sua vida mudaria tempos depois...
Oposição, adversidade, perseguição, turbulência... a vida não nos isenta disso. Mas como temos enfrentado este tempo?


Carlos Jr