Devocional






"Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixa-la secretamente. Enquanto ele considerava estas coisas em seu coração..." (Mateus 1.19-20).

Que texto tremendo! Ele acaba por completo com esta síndrome da perfeição humana que povoa alguns redutos cristãos. Põe um ponto final nesta pieguice atual de que o homem não vivencia problemas, de que relacionamentos em "Deus" são perfeitos e blindados de toda adversidade.
O texto nos leva aos dias que precediam ao nascimento de Jesus. Maria e José estavam casados.... como mandava a tradição daqueles dias... passavam um tempo juntos para adaptação antes da celebração das núpcias... mas não houve conjunção carnal (sexo) entre eles.
Mesmo assim...



Maria aparaceu grávida e com uma historia maluca... que o filho era do Espirito Santo. Jose ouviu tudo e não disse palavra nenhuma.
José é um homem justo diz o texto. Um homem cujo coração esta em Deus verdadeiramente. Este homem passou a sofrer com uma decisao: certamente o filho nao era dele. Deixar Maria significava: não assumir o filho que vinha vindo... significava também prover em um primeiro momento um álibi para Maria... fez o filho e fugiu.
Dia vinha, dia seguia e no seu coração um conflito se estabelecia... permanecer sabendo que Maria o traíra (o filho nao era dele)... seguir embora e atrair sobre si toda responsabilidade do problema!
Ele considerava em deixa-la. O pai de Jesus no inicio da vida conjugal sentiu-se compelido a separação. Na cabeça dele(ponto vista humano)... era a melhor alternativa pois não compactuaria com o erro dela, mas pelo amor que ele sentia por ela, atrairi sobre si toda a irresponsabilidade.
Aí o texto segue (Mateus 1.20-22) revelando lições tremendas pra vida da gente:

1. Um Deus que conhece corações 

José estava considerando deixar Maria em seu coração. Não estava assinando embaixo da historia trazida por sua esposa. Mas não desejava também expo-la ao apedrejamento moral e físico. Como ele devia olhar pra ela e se indagar no coração.... porque fez isso Maria? 
Maria era uma meninota... entusiasmada com a informação de que seria mãe e por uma obra do Espirito Santo. Era também justa e disposta em servir a Deus no seu coração. 
Dois corações tão diferentes num mesmo momento presente. Aquilo que acontecia com Maria era obra divina... mas José mesmo sendo justo, não estava a aceitar. Resistia a questão. Dois corações tão diferentes em um.mesmo momento presente. Deus conhece corações. Jeremias declara: "enganoso é o coração e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá? Eu, o Senhor, conheço os corações e esquadrinha os pensamentos..."
Nada passa desapercebido ao conhecimento de Deus. O salmista ao compor o texto do Salmo 139 declara e exalta este atributo: "Senhor, tu me sondar e me conheces...de longe penetras os meus pensamentos...conheces todos os meus caminhos"
O homem vê a aparência, julga pelo que vê, condena ou absolve sem saber o que de fato esta nas entranhas de um cidadão... Deus conhece o coração. Por isso o desafio de Jesus aos seus discipulos: "bem-aventurado os limpos de coracao"
Neste quesito inicial, é preciso lembrar que um culto festivo ou tradicional... mesmo sendo tão distintos, são muitas vezes tão iguais... quando a preocupação centra-se apenas na casca, nos gestos e expressões exteriores. Se o coração não está rasgado diante de Deus... vale nada tudo isso. "Rasgai os vossos corações não as vossas vestes, diz o Senhor" (Joel 2.13).
Há de se considerar também nesta questão uma outra realidade: não se abata com as sentenças e julgamentos alheios. Até Jesus foi pelos tais condenados. Siga em frente... como diz um ditado muito citado por um antigo pastor do Leste de Minas: "enquanto os cães ladram, a carruagem segue seu caminho"



Devocional – parte 2

"Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar,  resolveu deixa-la secretamente. Enquanto ele considerava estas coisas em seu coração..." (Mateus 1.19-20).

Uma segunda lição que o texto nos propõe: 

2. O que Deus faz é sempre completo.

Deus enviou um anjo a casa de Maria. Maria ficou atemorizada com o que aquilo significaria. Deus anuncia uma obra única em toda história humana. Deus Eterno teria um filho com um mortal. Que loucura!
Maria é de uma disposição absurda, de uma fé assombrosa: "que se cumpra em mim a palavra do Senhor" (Lucas 1.38).
Deus começou algo... ele nao deixaria incompleto. Nao bastava anunciar a Maria... era preciso visitar o coração justo de Jose que estava em conflito interno. E Deus visita José no seu conflito.
O que é lindo no texto é esse "enquanto". Não foi um enquanto ele cria... ou enquanto transcendia as adversidades... era: enquanto se afundava na tentativa de resolução por si... enquanto considerava partir...enquanto José agia como homem que era... e não como um super qualquer coisa da fé! Deus completa sua obra enquanto ainda temos nossas limitações. Isso jamais foi ou será impedimento para o poder dos céus.
O que havia começado com Maria, seguiu alcançando o esposo José.
O que Deus faz é sempre completo. A obra que Deus inicia, Ele vai até o fim... Paulo tinha tamanha certeza disto que escreveu aos filipenses dizendo: "Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de  completá-lá até o dia de Cristo Jesus" (Filip. 1.6)
Estamos em obra.Deus esta trabalhando na vida de cada um de nós e também nas circunstâncias ao nosso redor. 
É preciso confiar que o que Deus começou, ainda que não entendamos os caminhos... Ele vai terminar. Ainda que olhamos ao redor e não vejamos esperança... "Ainda que é Figueira não floresça, ainda que a vide não dê o seu fruto, ainda que o produto da oliveira minte, ainda que nos campos nao haja mais gado... ainda assim eu me alegrarei no Deus da minha salvação" (Hab. 3.17ss).
Há uma tremenda consideração aqui: Aprenda que Deus e Deus na história de sua vida. Ele sabe o que fazer, como fazer e quando fazer. Não queira ser a quarta pessoa da Trindade, querendo manipular ou fazer Deus fazer aquilo que você imagina ser o melhor. Deus não imagina. Deus sabe o que é melhor. A sua vontade é e sempre será boa, perfeita e agradável.



Devocional – parte 3


"Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixa-la secretamente. Enquanto ele considerava estas coisas em seu coração..." (Mateus 1.19-20).

Uma terceira lição que este texto destaca para meditarmos é:


3. Nenhum relacionamento prospera sem a intervenção de Deus.

José e Maria eram recem casados. A tradição cristã aponta um José mais velho e uma Maria bem novinha. 
O casamento nem tinha começado e uma crise instalada ja apontava o fracasso: José iria embora.
Não estamos falando de um ímpio... de um qualquer, um homem sem princípios e temor. Estamos falando de um homem justo, que tinha um coração reto diante do Eterno... e que em face aos conflitos e inquietações que emergiram no relacionamento, viu tudo desmoronar.
Nenhum relacionamento perdura por si só. O salmista destaca a misericórdia divinal: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam" (Salmo 127).
Neste mesmo pensamento temos que perceber que o primeiro milagre de Jesus no evangelho de João se deu ainda em meio a uma festa de casamento. Um casamento que ficaria marcado pelo fracasso ja a partir da festa... "eles não tem mais vinho" (João 2.1-11). A relação nem tinha começado e as crises ja estavam assaltando aquele casal. Mas é ai que vem o diferencial: a presença de Jesus, a intervenção do Senhor. Isso muda tudo na história. O vinho novo que Jesus oferece traz a percepção de que as crises são oportunidades para melhorar...
Pelas considerações e percepções de José, o melhor caminho era a deserção, o abandono, a separação. A crise cegou este santo varão para outras alternativas. A maior delas... os caminhos de Deus são mais altos que os seus! O que Deus está escrevendo era impossível de José dimensionar naquele momento... os pensamentos e os caminhos de Deus são tremendos em todo tempo: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos" (Isaías 55:8-9).
Nenhum relacionamento prospera sem a intervenção de Deus. Desgastes ocorrerão. Decepções não faltarão. Becos sem saída surgirão. Palpiteiros sem visão se apresentarão para apontar solução...
Sem a intervenção de Deus os relacionamentos estão fadados ao fracasso... mais cedo ou mais tarde, na família, profissão, ministério, amizades...
Esaú e Jacó se separaram em meio a um ambiente doentio de usurpação, concorrências desleais e trapaças. Abraão e Ló se separaram por motivos profissionais que passaram acarretar discórdias entre eles. Paulo E Barnabé tiveram tamanho desentendimento por conta de João Marcos que vieram se separar. Cada um seguiu por uma estrada diferente... e nem conseguiram se reconciliar porque logo em seguida Barnabé falece... sempre será assim se a graça e o amor de Deus não visitar cada relação e mudar o coração e a situação.

Devocional – parte 4

“Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar... resolveu deixa-la secretamente. Enquanto ele considerava estas coisas em seu coração...” (Mateus 1.19-20)
Uma quarta lição que este texto da meditação aponta é:

4. A individualidade do tratamento de Deus

Somos seres únicos. Não há em todo o planeta uma pessoa igual a outra. A íris dos olhos, a impressão digital e o mapa do dna destacam que cada um tem sua individualidade. Não somos iguais... mesmo os gêmeos univitelinos trazem presentes este traço de individualidade.
O Evangelho de Cristo é igual para todo homem. Todos os homens, a despeito de serem distintos uns dos outros, são todavia, iguais diante de Deus: “não há um justo sequer”. Todos são pecadores. E isso nos nivela na mesma condição.
Porém, conquanto a mensagem do evangelho seja igual a todos, a maneira como Deus trata é diferente com cada um. A maneira como Deus trata uma questão na vida de uma pessoa, nem sempre será a mesma na vida de outra... o modus operandi. O foco, os valores, o evangelho não muda, mas a ação de Deus sim.

Para exemplificarmos isso:

- No Antigo Testamento, a ação do Espírito Santo era “sobre”. O Espírito de Deus pairava por sobre as aguas... Veio sobre Sansão o Espírito de Deus... O Espírito de Deus está sobre mim pelo que me ungiu para pregar... De gênesis 1 a Malaquias 4 a ação do Espírito poderia ser traduzida por esta expressão: sobre.
- Nos Evangelhos, a ação do Espírito a partir do batismo de Jesus, até o Pentecoste era “com”. Mateus 3.16 diz que o “Espírito de Deus veio como pomba sobre ele (Jesus)”. Dai em diante, Deus não está mais sobre... mas com. Jesus é o Emanuel, o Deus conosco (com). Quem ve a mim, ve o Pai... eu e o pai somos um... dizia Jesus, o Deus que conosco habitava. João diz no seu Evangelho, no primeiro capitulo que o Deus que estava no inicio, por meio de quem todas as coisas foram criadas... esse mesmo se fez gente, habitou conosco!
- Do Pentecoste até a Consumação de todas as coisas, a ação do Espírito é “in”. Deus está em nos. Somos o templo da habitação do Espírito que desde a conversão está em nós, nos selando para o dia da redenção. Ele é o consolador de nossos corações, Ele é o orientador de todas as coisas, Ele é a garantia da promessa que está em nós. Deus está em nós pela presença de seu Santo Espírito.
Entenda o exemplo: Deus é o mesmo, mas a maneira de agir revelada nas Escrituras Sagradas é diferente em cada tempo. Sobre, com a em... maneiras de Deus agir na história.
O Evangelho de Marcos nos alerta para o perigo do solipsismo religioso. A normatização da experiência individual para toda a coletividade. Paulo se converteu caindo ao chão e ficando cego temporariamente. Então se você não teve esta experiência em sua conversão, você na verdade não se converteu... é assim que o solipsismo age. Pegando uma experiência particular e tornando-a em normal geral.
Em Marcos 8 encontramos a cura de um cego em Betsaida. Jesus curou vários cegos. Curou um que era cego de nascença (João 9). Mas este texto é intrigante. Diz que “trouxeram a Jesus um cego para que ele o TOCASSE”... por que tocar? Porque para estes homens, na ação do toque estava implícito a cura. Jesus o tocou. Jesus o levou para fora da aldeia e ele não teve sua visão restaurada... Ele passou ver homens como arvores. O que aconteceu? Porque ele não foi curado? Falhou o poder de Deus? Nada disso. Jesus não se submete a este solipsismo religioso.
Veja comigo:
a. Marcos 1: Jesus toca na sogra de Pedro e eela é curada. Jesus toca em um leproso e ele é purificado.
b. Marcos 3.10: Jesus toca em muitos enfermos e eles são curados
c. Marcos 5 uma mulher com hemorragia toca-lhe as vestes e é curada.
d. Marcos 8 – pediram para que ele tocasse o cego. E ai, nada aconteceu.
A liberdade de Deus em agir em nossas vidas do jeito dele é que faz o Evangelho especial. Paulo caiu, Zaqueu desceu, Elias ouviu um cicio... Deus sabe como agir com cada um... com o cego de Marcos 8, fez lido com saliva e mandou levar.... caso único, mas foi o jeito de Deus.
Maria foi visitada pelo anjo... mas José não. Maria falou com o anjo... José teve um sonho onde o anjo lhe apareceu. Isso não tornava uma graça maior que a outra. Simplesmente é a maneira como Deus em meio a história trata com cada um dos seus de maneira diferenciada. Tratou com Maria de um jeito e com José de outro. Somos diferentes. Deus nos fez assim e sabe muito bem disso. Por isso, em sua grandeza tem a maneira certa de tratar com aqueles que são seus!
A maneira diferenciada nao altere a eficácia, não muda o conteudo e nem o caráter de Deus em meio as suas obras


Carlos Jr